“Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano”. Assim como o romancista Charles Dickens afirma em sua citação, eu também tenho um enorme amor pelas festividades natalinas e toda sua simbologia. O que significa que um de meus personagens favoritos da vida permanece sendo Papai Noel.
Foi com muita curiosidade que assisti à comédia “Noite Infeliz” (Violent Night), que chega aos cinemas com a inusitada proposta de transformar a emblemática e doce figura do Bom Velhinho em algo mais próximo – e por que não dizer, interessante – do real.
David Harbour assume o posto de protagonista e faz isso com maestria, desde as primeiras cenas – estas, aliás, entre as mais divertidas da produção. A história mostra Papai Noel desiludido com o mundo atual, no qual as pessoas (em especial as crianças) se preocupam cada vez mais com a quantidade de presentes, enquanto perdem a capacidade de se encantar com o que de fato importa.
Devido a esse quadro aparentemente irreversível, Noel decide que este será seu último Natal na ativa (o que, parando para pensar, é algo muito triste). E é nessa noite derradeira de trabalho que ele conhece Trudy Lightstone (Leah Brady), uma garotinha que tem como único pedido a reconciliação dos pais recém-separados, Jason (Alex Hassell) e Linda (Alexis Louder).
Ao chegar à residência de Gertrude Lightstone (Beverly D’Angelo) – avó paterna da menina -, Noel descobre que a problemática família foi feita refém pela gangue comandada por Jimmy Martinez / Scrooge (John Leguizamo), homem sem escrúpulos que não hesita em tirar a vida de inocentes, visando roubar uma grande quantia de dinheiro que supostamente está guardada no cofre da suntuosa mansão.
Não é fácil de entender, mas existe uma poderosa magia nessa “nova versão” do Bom Velhinho, que deixa a inquestionável bondade de lado, para tornar-se uma espécie de justiceiro (no melhor sentido da palavra), com direito a grandes habilidades de luta, exímio talento com armas e um julgamento de valores justo e sensato – mas mantém a doçura ao falar de sua esposa Sra. Noel (com quem é casado há 1100 anos) e de suas inseparáveis companheiras renas.
Uma inédita origem do personagem é contada e, após o estranhamento inicial em torno de algumas decisões criativas, torna-se uma ótima explicação para os anos que antecederam sua função como um dos maiores símbolos do Natal.
Absolutamente tudo funciona no longa dirigido por Tommy Wirkola. A trilha sonora, que tem faixas originais compostas por Dominic Lewis, dá o tom a toda narrativa. Mas, é ao som da ótima “Christmas Time” de Bryan Adams, que o roteiro de Pat Casey e Josh Miller entrega umas das melhores sequências de ação, digna de grandes filmes do gênero. Alguns momentos, inclusive, fazem homenagens a títulos aclamados e serão reconhecidas pelos fãs saudosistas.
Ao mesmo tempo, a obra consegue emocionar de verdade, quando se propõe a ter como destaque principal a bonita e comovente temática natalina. Equilíbrio que faz com que saiamos do cinema, já com vontade de assistir novamente.
Dezembro é um mês muito rico no que diz respeito a novidades que têm o Natal como pano de fundo – seja em comédias, romances, musicais ou dramas. De maneira surpreendente, “Noite Infeliz” não só se junta a eles, como é, em minha opinião, um dos lançamentos mais bacanas dos últimos anos.
Uma das melhores versões de Papai Noel já apresentadas. Mais do nunca, vemos que – felizmente – ele não se esquece de ninguém, e estar na seleta lista dos bonzinhos é algo que vale muito a pena, em qualquer época da vida.
Imperdível.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.