Não existe um gênero simples de ser produzido no entretenimento. Como já dito por inúmeros profissionais da área, fazer rir é tão difícil quanto fazer chorar – mesmo que sejam emoções tão opostas.
Em dias atuais, isso ganha uma dimensão ainda maior, quando aglomeram-se temas que podem ser considerados sensíveis a uma parcela do público, assim como outros que tornam-se problemáticos aos olhos de mais uma parte.
Trabalhar com humor é complicado, mas Rodrigo Sant’Anna parece equilibrar-se bem nessa instável balança. Protagonistas de várias produções de sucesso, na televisão, teatro e cinema, ele volta às telonas em “Os Suburbanos – O Filme”, longa derivado da série televisiva homônima que foi ao ar de 2015 a 2018.
E, levando ao pé da letra a expressão que afirma que não se deve mexer em time que está ganhando, o ator segue a mesma linha vista na TV (inclusive com o recurso de quebra da quarta parede), para contar a história de Jeferson de Souza – ou simplesmente, Jefinho -, rapaz trabalhador, que sonha em fazer sucesso com sua música, para melhorar de vida.
O personagem vive na Zona Norte carioca com sua avó – carinhosamente chamada de “Avoia” (Mariah da Penha) – e tem um relacionamento sério com Gislaine (Carla Cristina Cardoso). Enquanto não alcança a almejada fama, ele trabalha como piscineiro na mansão de J. P. (Paulo Cesar Grande), dono de gravadora, cuja influência no mercado musical seria de grande valia para alavancar a carreira de seu grupo de Farol do Pagode. Além de manter encontros às escondidas com Lorena (Cristiana Oliveira), ex-secretária / atual esposa do empresário.
A premissa da obra dirigida por Luciano Sabino é bem simples, o que não significa que seja desinteressante. A rotina do protagonista , bem longe da que gostaria de ter, é mostrada de maneira sincera – ainda que em alguns momentos possa parecer exagerada (no que diz respeito a alguns maneirismos do elenco).
Mas, acho improvável que alguém que vá assistir ao filme, faça-o esperando por um humor muito rebuscado – o que nem caberia na proposta do roteiro de Rodrigo Sant’Anna e Denise Crispun. Às vezes (muitas vezes!) o mais simples consegue ser mais eficiente e, no caso da comédia em especial, é o que acontece quase sempre.
O longa conta com coadjuvantes muito bacanas, como Welington (Babu Santana), primo adotivo, companheiro de banda e melhor amigo de Jefinho. E Dinda (Nando Cunha), padrinho do protagonista, que tem dificuldades em aceitar-se como homossexual e cuja doçura é cativante.
Em 85 minutos de duração, há sequências divertidas (incluindo uma ótima tirada envolvendo o nome de Tim Maia), outras que talvez não funcionem tão bem, mas no geral, assim como na série na qual se baseia (e que não precisa ter sido assistida para que haja entendimento do filme, já que este traz uma história de início), “Os Suburbanos – O Filme” consegue cumprir a missão de entreter.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Downtown Filmes.