Antes de assistir a “Um Filme Minecraft” (A Minecraft Movie), tudo o que eu sabia sobre o jogo que serve de tema para a obra era que se trata de algo muito popular, com personagens / cenários visualmente simples – uma vez que tudo nesse mundo aberto é formado por cubos.
Lançado em 2011 pela Mojang Studios e com mais de 300 milhões de unidades vendidas mundialmente, Minecraft chega aos cinemas na forma de um longa que, ao abraçar a ideia da diversão pura, consegue entregar um resultado capaz de se fazer agradável tanto a gamers, quanto àqueles que não têm conhecimento de seu conteúdo.
Na trama iniciada na cidade fictícia de Chuglass (Localizada em Idaho), conhecemos Steve (Jack Black), que, desde criança (nessa fase, vivido por Bram Scott-Breheny) é fascinado pela mina de sua cidade. Já adulto e descontente com seu trabalho, ele decide lutar pelo sonho de ser um minerador, o que o leva a descobrir uma espécie de Cubo (a Orbe da Dominância), responsável pela abertura de um portal para o chamado “Mundo Superior”.
Esse (felizmente) será o cenário principal do longa, onde tudo – sejam objetos em geral, armas ou habitantes – é feito a partir de blocos, o que dá uma aparência diferenciada ao que se vê em tela, com o auxílio de um excelente trabalho de efeitos visuais que eleva a sensação de imersão do público.
Quando a paz do lugar é posta em risco, devido aos planos da malévola Malgosha (voz de Rachel House) e seu exército de Piglins, caberá a Steve impedir que a Feiticeira Suína coloque suas patas na Orbe.
Isso levaria a vilã a ter poder suficiente para expandir a vilania da dimensão Nether, onde vive, acabando com qualquer resquício de criatividade (elemento chave para a criação das múltiplas e infinitas histórias possíveis de Minecraft).
Para evitar tal destino cruel, o protagonista envia o simpático lobo Dennis para o Mundo Real, a fim de esconder o objeto em questão. E é quando os demais personagens humanos da entrarão em ação.
São eles: os recém-chegados à cidade, Natalie (Emma Myers) e seu irmão, Henry (Sebastian Hansen); a corretora de imóveis Dawn (Danielle Brooks); e o ex-campeão de videogames, Garret “O Lixeiro” Garrison (Jason Momoa).
Esse grupo aparentemente disfuncional acabará no meio da batalha entre o bem o mal que poderá definir o futuro do Mundo Superior e seus moradores. Tudo, enquanto buscam por uma maneira de retornar a Terra. Tarefa bem ao estilo de grandes jogos populares, que resistem a atualizações / invenções / exigências cada vez maiores e seguem arrebatando legiões de fãs através dos anos.
Dirigido por Jared Hess, o longa conta com inúmeros elementos que serão imediatamente reconhecidos por aqueles que já são familiarizados com o jogo – alguns são tão famosos, que até quem não é um grande conhecedor pode se lembrar de já ter visto em algum lugar (seja em estampas de roupas, itens de festa ou brinquedos).
O roteiro de Chris Bowman, Hubbel Palmer, Neil Widener, Garin James e Chris Galletta acerta ao não impor uma seriedade desnecessária à proposta. Às vezes, uma narrativa que seja “apenas” divertida e descompromissada é tudo que se necessita para criar um filme que consegue entreter do início do fim.
A aventura torna-se ainda mais bacana de acompanhar, graças à excepcional trilha sonora instrumental de Mark Mothersbaugh, que também conta com nomes como Skid Row, B’52s e o próprio Jack Back interpretando várias faixas inéditas (destaque para “I Fell Alive”). Vale também exaltar a participação engraçadíssima de Jennifer Coolidge, no papel da Vice-Diretora Marlene.
Com duas cenas (uma durante os créditos e outra após seu término), “Um Filme Minecraft” aposta na popularidade de seu material base para tornar-se uma franquia cinematográfica. A julgar pela minha animação ao sair da sala de cinema, acredito que esse seja o caminho certo para a construção de histórias futuras.
por Angela Debellis
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Warner Bros.