
“Guardado em Silêncio”, dirigida por Fabiano Moreira, cumpre curta temporada em São Paulo nesse mês de outubro. A peça se arrisca no desafio de contar, em uma hora de duração, uma narrativa que mescla Segunda Guerra Mundial com reflexões de dois mil anos atrás ao abordar o nazismo com inspirações no livro de Romanos.
O enredo se foca na Alemanha durante a ascensão do governo totalitário do ponto de vista de alguns cidadãos aparentemente comuns. O silêncio do título aparece em ações não cumpridas, reflexões não realizadas e em um arrependimento guardado em silêncio, mas que mexe com o protagonista à medida que este rememora sua vida, o que fez e o que deixou de fazer.
Esse silêncio aparente é contrastado pela sonoridade da narrativa. Pela música ao vivo, muito bem executada, do trio de cordas, pelo rádio, o tempo todo no centro do palco, representado os discursos da imprensa da época e pelo barulho das ruas e das janelas quebradas na “Noite dos cristais quebrados”, momento importante na peça e evento histórico real, marco do início do Holocausto. O ressoar dos discursos dos três atores formam a peça que se alterna continuamente entre presente e passado.
Com um assunto já tanto utilizado na literatura, cinema e teatro, o texto de Patrícia Cretti não oferece grandes novidades em termos estilísticos, mas traz um esforço louvável ao tratar de um tema tão difícil de forma interessante e tocante.
Todos esses elementos nos auxiliam a refletir sobre nossos silêncios, por palavras e atos, perante nossos problemas e os da sociedade e ao mesmo tempo sobre discursos ferozes que criamos para justificar nossa falta de ação.
Após a pré-estreia da peça os artistas, muito simpáticos e atenciosos, se juntaram ao público para fotos, conversas e autógrafos.
O espetáculo está em cartaz todas às sextas feiras de outubro às 21h, no Teatro União Cultural.
Venda de ingressos: Bilheteria física do Teatro União Cultural / Site Bilheteria Express.
por Isabella Mendes – especial para A Toupeira